por Danilo Farias

Em 2007 o escotismo completa 100 anos. A maior organização de juventude do mundo não parou no tempo e se adequou, segundo integrantes. Hoje, a Organização Mundial do Movimento Escoteiro (WOSM – sigla em inglês) tem 28 milhões de participantes. No País, de acordo com a União dos Escoteiros do Brasil (UEB), são cerca de 50 mil membros. Proporcionalmente a área, o Distrito Federal é um dos locais que mais têm escoteiros do País.

Para ser atrativo aos jovens o escotismo se adaptou a realidade, tornando os líderes úteis em suas comunidades, segundo avaliação do diretor-presidente da UEB, Paulo Salamuni. No Brasil o escotismo começou em 1910, apenas três após ser fundado por Baden-Powell, herói britânico que se tornou mundialmente conhecido pela sigla B-P.

Em 1959 o escotismo chegou ao DF. Atualmente existem dois mil jovens escoteiros, 300 adultos voluntários e 33 grupos, de acordo com a Região Escoteira do Distrito Federal (UEB-DF). Devido à quantidade de membros e comparativamente a área, o DF se destaca no cenário nacional, como um dos locais em que o escotismo é mais praticado no País. A diretora presidente da UEB-DF, Carmen Barreira, considera que isso se deve à posição geográfica e ao padrão de informação e qualidade de vida das famílias. Há grupos escoteiros em Águas Claras, Candangolândia, Gama, Guará, Lago Norte, Lago Sul, Paranoá, Park Way, Planaltina, Plano Piloto, Sobradinho, Taguatinga, Varjão e nas cidades de Goiás, localizadas no Entorno, Cabeceiras, Valparaíso e Padre Bernardo.

O diretor técnico do grupo escoteiro Marechal Rondon – 4º DF, Marcelo Xaud, 27 anos, entrou no escotismo em 1988. Ele explica que o trabalho ocorre de forma distinta para as idades e que as responsabilidades são “passadas” gradativamente. Marcelo analisa que as atividades escoteiras visam potencializar as características positivas e trabalhar as dificuldades dos jovens por meio do auto-desenvolvimento.

Marcelo conta que as atividades escoteiras ocorrem geralmente sábado à tarde e distingue dois momentos. Um de atividades em sede e outro de externas, nas quais ocorrem os acampamentos, caminhadas, dentre outras possibilidades. “Um exemplo clássico (de atividade) é o ato de cozinhar no acampamento. Os acertos e erros típicos da preparação permitem o desenvolvimento de habilidades de observação e antecipação”, exemplifica. Outras atividades são mais modernas. “Se não forem diferentes, o jovem deixa o Movimento.Se alguém ver um grupo de escoteiros em um shopping, lá também estarão aprendendo a ser melhores cidadãos”, explica o diretor técnico do Marechal Rondon.

Escotismo em Família

O movimento escoteiro é conhecido como uma grande fraternidade mundial. Os Farages, além de irmãos escoteiros, têm o laço por parentesco. Pedro Farage (9) é lobinho (forma como são chamadas as crianças de 7 a 11 anos no escotismo). Seus irmãos Matheus (15) e Lucas (17) são seniores (jovens escoteiros de 15 a 18 anos). Há três anos no grupo, Pedro, o mais novo, diz que aprendeu a fazer nós e arrumar a mochila. Ele conta que no escotismo brinca, acampa, vai à cachoeira e festa de outros grupos. “A atividade que mais gostei foi aprender a fazer comida mateira. Aprendi a preparar ovo, cenoura e batata na fogueira”, conta.

O irmão do meio, Matheus, considera que aprendeu no escotismo a ser um cidadão, ajudar os outros e falar a verdade. “O escotismo cria pessoas que vão transformar o mundo”, diz. Já o mais velho, Lucas, se interessa pelo contato com a natureza. Entretanto, para ele, o mais importante não são as técnicas, mas o desenvolvimento que elas proporcionam. “O que mais me atrai não é fazer nó, nem fogueira. O melhor é o aprender fazendo, a autonomia e vivência em grupo”, considera.

O diretor-presidente do grupo escoteiro Marechal Rondon, Rudinei dos Santos, tem dois filhos no escotismo, um de 10 e outro de 14 anos. “Já vi mudanças. Os meninos se tornam mais independentes, com senso crítico aguçado e capacidade de fazer as próprias escolhas”. Rudinei considera o escotismo importante para a sociedade atual porque tem uma proposta saudável e educativa.

Podem participar do escotismo, meninos e meninas, com idade a partir dos 7 anos, e jovens até os 21 anos. A partir dos 18 é possível colaborar como voluntário na coordenação das atividades. O site www.escoteiros.org.br tem mais informações sobre o Movimento. No DF e Entorno, os interessados em participar devem acessar o site www.escoteirosdf.org.br.

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